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Fernandinho – Entrevista

Fernandinho, foi contratado pelo Manchester City em 6 de junho de 2013. Chegou ao clube em meio de certa desconfiança. Os torcedores ingleses questionavam a entrada de mais um brasileiro; os antecessores não tinham dado certo. Já os brasileiros achavam que o City deveria ter investido em outro jogador.

Nós do Man City Brazil nunca duvidamos  na capacidade do Fernandinho, e acreditamos ter sido o primeiro meio de comunicação fora do clube a fazer uma entrevista com o jogador em setembro de 2013. 

Relendo a matéria, vamos perceber que todos os desejos do jogador se concretizaram. Vieram títulos, a disputa na Copa do Mundo e principalmente a conquista do respeito e do amor da torcida do City.

Voltamos a falar com o Fernandinho, agora para saber como tem sido a vida e a carreira em Manchester desde a primeira entrevista.

MCB – Fernandinho, voltamos a falar com você depois de um ano e meio. Como tem sido sua adaptação na cidade e na equipe durante esse tempo?
A adaptação tem sido tranquila, principalmente no aspecto dentro de campo. Já conheço bem os companheiros e eles me conhecem também. Então isso facilita muito o convívio no dia a dia e consequentemente nos jogos. Estou muito feliz com isso.

MCB – Quando entrevistamos você pela primeira vez, você disse que desejava mudar a imagem da torcida do City em relação aos jogadores brasileiros. Acredita que conseguiu isso? Acha que pode fazer mais?
Eu espero que tenha mudado a imagem sim. Em qualquer time, quem fica marcado são aqueles que ganham títulos. No primeiro ano conseguimos dois, então isso é super importante. E levo em consideração o fato de se mantermos sempre no mesmo nível, tentando jogar da mesma maneira sempre, ter um padrão nas atuações. Acho que agrada a torcida. E os torcedores do City fazem uma leitura muito boa das atuações dos jogadores.  E o que eu mais quero é ganhar títulos pelo City porque já peguei um carinho enorme por todos aqui.

MCB –  Não é fácil morar longe da nossa terra natal. O que sente mais falta do Brasil?

Isso é verdade, viver longe da terra natal não é fácil. Mas sempre tentei focar na minha carreira e dar o meu melhor. Consegui fazer isso nos últimos dez anos. Mas sem dúvida o que mais sinto falta são os almoços de domingo com toda a família reunida. É uma alegria só. Amigos e familiares, conversas e risadas. Isso me agrada muito!!!

MCB – Nesse tempo na Inglaterra, como você vê o torcedor inglês em comparação ao brasileiro, dentro e fora de campo? Quais são as diferenças de comportamento?
Nesse primeiro ano, percebi que os torcedores ingleses (do City principalmente) apoiam muito os seus times, mesmo nos momentos adversos. Já no Brasil, a cobrança por resultados às vezes ultrapassa as barreiras. Já vimos diversos casos de torcedores agredindo jogadores e isso é horrível. Acho que se acontecer aqui, o torcedor nunca mais poderá ir a um jogo de futebol. Já no comportamento dentro do estádio, os brasileiros são um espetáculo à parte, cantam o tempo todo, passam uma energia positiva. Já na Inglaterra as vibrações são menores, se agitam mais após o gol.

MCB –  Em termos de atmosfera, qual o estádio inglês você gostou de jogar ou sentiu uma pressão diferente vindo da arquibancada?
Acho que posso dizer que os clássicos que joguei fora de casa foram especiais, com aquele clima de jogo grande e decisivo. Eu amo isso. Mas uma atmosfera que achei interessante foi no Goodison Park. A torcida fica muito perto do gramado e vira um caldeirão. Foi muito bom jogar lá.

MCB – No City, você começou jogando de segundo volante, depois passou para primeiro. Em qual das posições você gosta de jogar mais?

Verdade. Tive a oportunidade de jogar nas duas posições, mas o importante para mim foi que consegui me adaptar ao esquema do time. Entre escolher uma ou outra posição, eu prefiro estar em campo, entre os onze titulares. Aquilo que puder fazer para o time vencer, farei. Independente da posição em campo.

MCB – Agora que conhece o grupo, qual o jogador mais fanfarrão? E como é o convívio com várias nacionalidades na equipe?
(Risos) O mais fanfarrão não tem um definido, mas sem dúvida um dos melhores jogadores pra manter o ambiente saudável é o Kolarov… Pessoa fantástica. E o convívio com várias nacionalidades diferentes é fácil, é tudo baseado no respeito. Não temos problema algum.

MCB – City está 5 pontos atrás do Chelsea nesse momento depois de tirar 8 pontos no mês de dezembro. Acredita que o grupo tem forças para tirar de novo essa vantagem e buscar o título? (A entrevista foi feita antes da partida contra o Hull, equipe agora está 7 pontos atrás.)
Cinco pontos não é uma diferença que queríamos, gostaríamos de estar na frente deles, mas essa é a realidade. Acredito que temos condições de alcançá-los na ponta da tabela, e chegar brigando de igual pra igual com uma diferença mínima de pontos em maio.

MCB – Depois de uma classificação no último suspiro na Champions League, qual sua expectativa em relação ao jogo do Barcelona? Acredita que pode ter uma história diferente nesse ano?
Após o jogo contra a Roma, fiquei ainda mais convencido de que podemos ir longe na Champions. UCL é isso, superação até o último suspiro. E tenho certeza que esse ano é diferente. Não vejo a hora de chegar logo esse jogo.

MCB – Sobre o City Football Academy, quais são suas impressões do novo CT e sobre a academia do clube?
Simplesmente fantástica. O melhor CT do mundo em infraestrutura. O clube acertou em cheio na construção deste CT, porque gerações futuras poderão usufruir muito e elevar ainda mais o nível do time.

 Pedimos para nossos seguidores enviarem algumas perguntas

O @ricardoOramalho pergunta quais as diferenças da cultura inglesa e ucraniana? E quais as diferenças táticas que exerce na seleção e no City?
Bom, Ricardo, pelo tempo que fiquei na Ucrânia pude aprender muitas coisas. Por exemplo, o ucraniano é difícil de fazer amizades com estrangeiros, mas depois que faz uma amizade leva pra vida toda, tenho muitos amigos por lá. Gostam muito da culinária deles também, muito baseado nas sopas tradicionais como o Borsh, adoram legumes e verduras. Como é um pais jovem, ainda há muitos vestígios da antiga União Soviética. Já os ingleses são mais abertos e receptivos, ao menos foi a impressão que tive quando cheguei por aqui. E percebi que o trabalho é sério durante toda a semana e já na sexta começa o tempo de relaxar, ir aos pubs, estar sempre com amigos, aproveitar o final de semana de varias maneiras. OBS: Os ucranianos adoram uma vodka (risos).

O @lucianopinto quer saber como você enxerga os autos e baixos do City nessa temporada. O grupo conversa entre si e existe uma cobrança geral, inclusive do Pellegrini?
Bem, Luciano, isso realmente é uma coisa que me incomoda muito. Um grande time deve manter o nível de atuações em todos os jogos e campeonatos. Claro que há conversa e diálogo entre a comissão técnica, sempre tentando resolver problemas e encontrar soluções que nos ajudem e nos façam melhorar. E as cobranças são diárias, de todas as partes. Até do meu filho sou cobrado (risos).

O @martinsmanoel disse que com a saída do Yaya Touré para a Copa das Nações Africanas você teve que assumir a posição do marfinense. Ele quer saber como é a responsabilidade de ter que atacar mais e ter a liberdade de ajudar na frente. E se é uma função que já conhece e prefere atuar assim.
Bom, Manoel, o importante para mim foi sempre estar entre os primeiros dos titulares e ajudar o time. Com a ida do Yaya para a Copa das Nações Africanas, pude jogar mais alguns jogos adiantado. Tive a felicidade de fazer gol e isso me deixou muito feliz. Espero que possa continuar nesse mesmo nível e ajudar o time a ganhar, que é o mais importante.

 

Sobre Evans

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Fundador, Twitter, ManCityBrazil TV, Podcast, Correspondente na Inglaterra e Seasoncard holder do Manchester City.

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