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Pep, será que já nos demos conta do que é tê-lo aqui?

Já nos demos conta do privilégio que é ter Pep Guardiola no comando do City?

A questão é interessante, parece até fácil de ser respondida, mas não é. Porque Guardiola, ao contrário de outros, não traz o imediatismo dos resultados prontos junto consigo, porque ele não pensa o futebol como algo em que os resultados e vitórias vem em primeiro lugar.

É difícil aturar isso, porque para nós torcedores o que importa antes é o nosso time vencer. Não é errado pensar assim, nosso papel é esse mesmo, questionamos suas decisões, xingamos quando um contratado dele falha, nos perguntamos se ele é tão bom assim mesmo…

Desde que decidiu deixar o Barcelona, após conquistar tudo o que poderia, e mais que isso e antes dos títulos, revolucionar o modo de pensar e atuar o futebol, na maior transformação tática dos últimos tempos, Pep é questionado por tudo e por todos.

Não teve paz na Alemanha, acusado de desgermanizar o Bayern, de atentar contra os fundamentos históricos do futebol alemão… Ué, mas eles achavam que haviam contratado um técnico comum? Pep não é um técnico comum, nunca vai ser… Técnicos comuns tem de se adaptar aos clubes, mas os clubes é que tem que ser adaptar a Pep…

Pep deixou a Bundesliga sem graça, mas para a graça dos seus críticos, não conseguiu levar o clube bávaro a conquista da Champions League. Foi sua pedra no sapato, o suficiente para dizerem que sua passagem foi um fracasso, afinal o que importa são os resultados, e ele próprio acha que não foi tão bom quando deveria.

Quando se contrata o catalão, o clube tem que ter ideia de que todas as bases com que atua ou vem atuando historicamente, por cultura própria, ou mesmo local, vão ser alteradas. Ele não vem para brincar, mas sim para implantar, de verdade, sua filosofia de jogo.

Nós torcedores vamos chorar com ídolos que se vão, e achar que o clube está sendo injusto, mas eles têm que ir. Vamos gritar achando que ele deixa o time vulnerável defensivamente, que inventa demais com determinados jogadores, e etc. São críticas que fizemos esta temporada algumas vezes, temos que admitir.

Claro, ele não é uma divindade e nem sempre estará certo, mas será mesmo que está tudo errado assim?

Pep ainda não tem o time que quer nas mãos, e tem uma missão mais complicada que tudo: implantar sua filosofia com várias peças que sabe que nunca de adaptarão a ela, mas ele tem que fazer, porque esta parte do trabalho não pode esperar uma ou duas temporadas, tem que ser imediata. E aí é que vemos os percalços.

Mas muita coisa importante já foi feita, e quem tem um olhar mais profundo do que uma classificação sabe o quanto de importante já aconteceu no elenco em relação ao desenvolvimento de jogadores.

Para mim o maior exemplo está em Raheem Sterling. Contratado desde 2015, e questionado desde este exato momento por causa de seu alto preço, a jovem promessa inglesa contribuiu para as desconfianças com sua irregularidade durante toda a primeira temporada.

Mas aí Guardiola chegou e encontrou o talento de Sterling. Demorou alguns meses, mas no momento que foi assentada a formação ideal de ataque, Raheem brilhou, e se tornou peça indispensável para o time, como poucos de nós imaginávamos. Com sua rapidez e habilidade, deu uma fluidez sem tamanho as ações ofensivas, junto a outro que também cresceu enormemente em poucos meses.

Falo de Leroy Sané, alemão contratado para esta temporada. Com um começo tímido, aposto que muitos descreram que poderia vingar, mas junto com Sterling foi o grande vetor da evolução ofensiva da equipe, e não perdeu mais o lugar no time. Junte-se a dupla Gabriel Jesus, o terceiro personagem que fez Pep sorrir quando mostrou de primeira a que veio.

Talvez sem o infortúnio causado ao brasileiro, poderíamos ter tido melhor sorte em nossas disputas, mas isso é o de menos…

São três jogadores jovens que sequer chegaram ao auge da carreira, e mais jovens virão, porque o trabalho de Pep nunca se baseou no imediatismo, ele desenvolve jogadores a sua maneira de pensar, tornando elencos onde os resultados são consequência. Porque não pensamos nisso as vezes, antes de esbravejar?

E não foi só os que chegaram, ícones da equipe que souberam assimilar cresceram também. Ou ninguém acha que David Silva está numa forma melhor do que há muitos anos não víamos? E sobre Fernandinho, que se tornou um verdadeiro líder para Pep, tendo uma importância clara? O que falar de Yaya Touré, de uma peça quase descartada no início da temporada, voltou e vem tendo as melhores atuações desde 2014?

Pep não tem tudo o que quer nas mãos, mas já fez muito com o que tem, já mostrou sua cara, já deu indícios de como as cartas serão jogadas nos próximos anos.

Ele poderia ter voltado ao Barcelona que revolucionou, poderia nem ter saído de lá, mas ele não quer, porque o que o move é testar seu modo de pensar em novos mundos, e desenvolvê-lo, fazê-lo algo ainda melhor, e saber que somos um desafio que o motiva é sim algo que faz meus olhos brilharem.

Ter Pep no comando é a garantia de uma passagem intensa e desafiadora, um paraíso para os verdadeiros amantes do futebol, e se torna maior porque é limitada. Ele planta a semente, colhe alguns frutos, e se vai. Então, antes de se tornar uma máquina de analisar resultados, aproveite… ou você ainda não se deu conta do privilégio?

Sobre Manoel Martins Jr

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Melhor com a caneta nas mãos do que com a bola nos pés.

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Um comentário

  1. Avatar for Manoel Martins Jr
    Antonio Pereira da silva junior

    Não tenho dúvidas que o City na próxima temporada será um time ainda melhor. Guardiola sabe escolher jovens e talentosos jogadores e isso será fundamental para repor peças que falharam muito nessa temporada (laterais e defesa). O City levou muitos gols por falhas bobas na defesa. O Atque, principalmente com o Aguero, perdeu muiitos, mas muitos gols mesmo, nessa temporada. Se não fosse esses percalços certamente o City estaria ou na liderança do ingles ou muito perto do Chelsea.

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